(via flightlessbir-d)
Meu sonho quando eu tinha 10 anos:
Meu sonho hoje:
(via mais-verdades)

09 de Novembro de 2004, quinta-feira.
O despertador tocou e eu levantei. Fui para cozinha preparar algo para comer, e enquanto o café ficava pronto, fui tomar um banho. Tomei. Me arrumei e fui para cozinha, de novo, comer. Comi. Assim mesmo, rapidinho para não chegar atrasada. Era um dia simples, normal, eu estava pronta para ir pra faculdade, ok. Estava pronta para sair e meu celular tocou. Peguei-o e vi que era um número desconhecido, pensei em não atender, porque se fosse alguém conhecido, eu lembraria do número. Mas o meu coração bateu mais forte, e eu senti que aquela ligação não era algo normal. Atendi…
— Alô, Eduarda?
— Sim, sou eu. Quem é que está falando?
— Oi, Duda, sou eu, Guilherme. Nós estudávamos juntos, eu era o seu melhor amigo, tá lembrada?
— Gui? — disse com ar de espanto — É você? De verdade?
— Sim! — ele respondeu, feliz. — Sou eu, Duda, o seu eterno “menininho”. Haha, lembra?
— Nossa, eu nem estou acreditando que é você mesmo. Quem foi que te deu o número do meu celular?
— A Bia. Eu achei o telefone da casa de seus pais guardado em uma agenda velha, e resolvi ligar para ver se conseguia o celular dela, e consegui! E… Foi pra isso que eu te liguei, você tem alguma coisa para fazer no sábado?
— Ah, entendi, que bom que você conseguiu, né? — risos — Bom, até agora eu não tenho nada para fazer no sábado, porquê?
— Que bom! Como eu disse, conversei com a Bia, e nessa conversa nós combinamos de fazer um encontro com os amigos de “infância”, digamos assim. Nós marcamos de ir ao parque, o que você acha? Vai poder ir? Diz que sim! E, ah, você tem o celular de alguém que estudou com a gente? Para vermos quem mais irá querer ir.
— Ah, é claro que eu vou. Nossa, estava morrendo de saudade das pessoas do colégio! Eu acho que tenho o numero da Ana, da Paula e do Murilo, vou ligar pra eles e avisar… E você, menino, está tudo bem? Tá namorando? Casado? Com filhos? Está trabalhando em que? Me conte tudo!
— Que nada! Estou solteiro. Lembra que eu jurei pra você que só iria casar, se fosse contigo? E que nós íamos ter um casal de filhos? Eu não esqueci disso!
Nós rimos por um longo tempo, eu respirei fundo e disse:
— A é? Então quer dizer, que essa promessa maluca que nós fizemos, ainda está de pé? Então ok, vamos casar, e vamos ter dois filhos, e seremos felizes!
— Seremos felizes, muito felizes, o casal mais feliz do mundo, né, pequena?
— Sim menininho, seremos.
— Bom, a conversa está ótima, mas agora eu tenho que desligar, Gui. Preciso ir pra faculdade, se não chego atrasada. Vou guardar seu número na agenda do celular e quando eu voltar, te ligo, pode ser?
— Não!
— Não? Como assim, não?
— Não, você não vai me ligar, eu vou ir busca-la na faculdade…
— Meu Deus, você é doido?
— Não, ué. Me diz, que horas você sai de lá?
— Eu saio às 17:00. Mas hoje eu tenho que tirar algumas dúvidas com o professor, então, 17:20 você passa por lá?
— Sim, com toda a certeza do mundo. Me passe o endereço?
E eu passei o endereço, e disse um tchau, meio quero ficar. Já estava atrasada pra faculdade, mas não queria comentar isso, e deixa-lo se sentindo culpado. Então peguei minha bolsa, meus livros, arrumei o casaco, olhei-me no espelho: estava com cara de boba. E fui. Passei a aula toda só pensando naquela ligação, e nas palavras dele: “Lembra que eu jurei pra você que só iria casar, se fosse contigo? E que nós íamos ter um casal de filhos? Eu não esqueci disso!” Foi a coisa mais bonita que alguém poderia me dizer. E toda hora eu soltava um sorrisinho de lado, e via que as pessoas estavam percebendo essa minha felicidade paradoxa, e me olhando, como se eu estivesse louca. E foi assim, passei toda a aula pensando nele, nas palavras, pensando em tudo que nós já aviamos vivido juntos, e sorrindo. Não prestei atenção em absolutamente nada do que os professores disseram, apenas ele dominava a minha mente. Eu já estava achando que a aula nunca iria terminar, quando…
— Turma, por hoje é só. Disse o professor.
— Finalmente! Eu disse olhando para a minha amiga, com um sorriso escandalosamente feliz.
— E eu posso saber porque a senhorita está tão feliz assim? Ela perguntou.
— Ah, hoje o meu melhor amigo de infância me telefonou, e ele disse que iria vir me buscar aqui, na faculdade. Estou super ansiosa para vê-lo!
— Humm, “amigo de infância”? Sei…
Nós apenas rimos. Peguei o meu material e fui. Sai correndo desesperadamente pelos corredores da faculdade, com medo de chegar atrasada e deixa-lo esperando. E finalmente:
— Cheguei! — Disse, o abraçando forte, forte até demais — Estava tão ansiosa para ver-te, meu menino.
E ele retribuiu o abraço, nós nos abraçamos por um longo tempo. Então ele deu um paço para trás, e me olhou de cima a baixo. Pediu para que eu desse uma voltinha, e eu obedeci.
— Meu amor, vou te contar, em… você está linda! Na verdade, você é linda, né?
Ele riu, eu ri. E ele segurou em minhas mãos, olhou em meus olhos, e disse:
— Ô pequena, tu não mudas, né? Sempre com esse sorriso encantador, esse cabelo solto e meio bagunçado, essas bochechas coradinhas, essa pele perfeita — acariciou meu rosto — esse ar de felicidade, afogada nos livros, nos estudos… Toda atrapalhadinha. Linda. Minha linda.
— É, não mudo. E acho que não vou mudar, não é? Fiquei tanto tempo sem te ver e continuo a mesma doida de antes — Ri — E é? Sua? Nossa!
— Minha. E só.
— Sua, então, né.
Nos abraçamos, de novo, e dali, fomos para uma lanchonete. Comemos, rimos, brincamos e conversarmos por algumas horas. Falamos da vida, dos relacionamentos que não deram certo, dos nossos familiares, dos amigos novos, das partidas e chegadas de algumas pessoas, falamos sobre faculdade, sobre empregos, times de futebol… Até dos nossos animais de estimação, nós conversamos. Literalmente falamos sobre todas as coisas que você pode imaginar. E eu estava tão feliz de estar ao lado dele mais uma vez, de poder abraça-lo, poder chama-lo de “menininho”, como nos velhos tempos. Mas eu tinha que partir. Então me despedi dele, sem beijinhos no rosto, fomos logo para o abraço, e disse que iria espera-lo no sábado, e ele concordou. Já estava saindo da lanchonete, e ele gritou:
— Amo-te, pequena, não esqueças, em?!
Eu apenas sorri, igual boba, e fui embora. Cheguei em casa sem acreditar no que havia acontecido, me joguei no sofá, liguei a TV, e disse para mim mesma: “Eu reencontrei o meu melhor amigo, depois de anos. Isso é perfeito!”
Passei o resto do dia com ele em mente. O sorriso, o abraço, os carinhos, o modo de falar… Parecia que as palavras que ele usara, tinham sido escolhidas com cuidado, para que tudo desse certo, sabe? Ele era desses. Que sabia conquistar alguém. Um verdadeiro príncipe, apesar de eu saber, que príncipes só existem nos contos de fadas. Ele era um príncipe. O meu príncipe. E foi bem assim, pensando no que tinha acontecido à tarde, que eu dormir, ali, no sofá, mesmo. Apaguei, puf! […]
Chegou sexta-feira. E eu fiz a mesma coisa do dia anterior, acordei e fui pra faculdade, e continuava mantendo o mesmo pensamento: ele. Nunca fiquei tão ansiosa na vida para ver alguém, afinal, eu nunca fui de me apaixonar.Droga. Eu estava falando de paixão. Não podia, não devia, ainda mais com ele. Meu Deus… Tudo estava perdido. Ou não.
E eu fui pra casa, naquela mesma rotina monótona de todos os dias: acordar-me arrumar-ir para faculdade-voltar pra casa-ver televisão-dormir. Só que dessa vez era diferente, nem pregar os olhos eu consegui, contando os minutos para vê-lo. Rolei na cama de um lado para o outro umas vinte vezes, até conseguir pegar no sono. E mesmo depois de estar dormindo, ele ainda estava nos meus pensamentos, eu sonhei com ele, como pode? Isso já não estava normal. E, cara, eu precisava dele ali comigo.
E mais um dia se foi. Foi-se a sexta, e chegou o sábado. O grande dia, cheio de brilho, cheio de esperanças, expectativas, felicidade, sorrisos, cheio de tudo. Ô felicidade! Acordei e fiquei perambulando pela casa, esperando a hora de ir para o parque encontrar com os meus amigos. E chegou, rapidinho, graças a Deus, eu já não estava mais aguentando essa agonia. Peguei a bolsa, o celular e fui. Cheguei lá e fiquei sentada em um banquinho em frente ao local esperando eles, e até que não demoraram, chegaram todos juntos. O Gui, a Bia, a Paula, o Murilo, a Ana, a Julia, o Rodrigo e o Luiz. Cumprimentei todos, me agarrei com o Gui, e entramos no parque. Foi super legal, é claro. Fomos em quase todos os brinquedos, parecendo crianças, que não tiveram infância direito, sabe? Haha. E depois de brincar tanto, nós sentamos na grama para conversar. Cada um teve sua vez de contar sobre a vida, sobre as mudanças, e afins. Chegou minha vez e eu contei tudo o que tinha feito nesse tempo que nós ficamos separados, e blá blá blá, toda aquela coisa que acontece quando você fica muito tempo sem ver alguém. E na vez o Gui, ele não parava de falar da escola, e de mim, e da gente. E então nós começamos a lembrar dos velhos tempos. Foi tudo perfeito, ainda mais com ele falando. E em todas as palavras que ele disse eu fui sitada, e ele falava com uma doçura, uma felicidade, soltava palavras tão carinhosas, que conseguiam encantar qualquer um que as ouvisse. Foi daí que eu percebi: Era amor. E ele me olhou nos olhos, sorriu, e soltou um “eu te amo” perfeito. E eu? Ah, eu tive certeza que dali em diante nós íamos ser felizes, juntos. Era amor, sim, dos mais verdadeiros possíveis.
(via p-ushed)